A chuva caia torrencialmente nas ruas de Londres, mas Samantha Kells parecia não se importar com o inconveniente. A sua dor sobrepujava qualquer coisa.Desde a morte dos seus pais Sam tem agido de maneira tranquila, quase como se estivesse bem, e era isso que pretendia mostrar as pessoas, ela oferecia seus sorrisos falsos e vazios a aqueles que pelo menos fingiam se importar com sua perda.
Perdera a conta de quantas vezes mentira sobre sua situação emocional naquela semana, umas vinte vezes talvez?Não era realmente importante. Ela vagou pelas ruas desertas e cinzas durante praticamente toda a noite e ninguém pareceu notar sua ausência, já que seu celular - protegido em sua bolsa - não tocara nem uma só vez. Mas quem deveria notar de qualquer maneira?Seus pais estavam mortos e essa era uma realidade da qual ela não poderia escapar por mais que tentasse.
Tudo que ansiava era aninhar-se aos braços de sua mãe e ouvir sua voz melodiosa lhe dizer que tudo ficaria bem ou pelo menos receber um enérgico e caloroso abraço de seu pai quando o mesmo retornasse de seu trabalho. Eles eram os amores de sua vida.
Samantha sempre foi uma adolescente alegre apesar da timidez, seus pais lhe proporcionavam isso. Jamais fora uma popular no colégio, sempre ocupada demais em se entreter com os livros que deixava de lado os amigos, até que um dia eles simplesmente desistiram de chamá-la para qualquer evento. Essa era uma das coisas as quais mais se arrependia, ela poderia ter vivido mais intensamente enquanto tinha seus pais como companhia, poderia ter aproveitado mais sua idade. Agora em seus 18 anos, sentia falta disso, nunca sentira-se tão adulta quanto agora, porém também nunca fora efetivamente uma adolescente.
Tinha feito dezoito a duas semanas e insistira para ganhar como presente de seus pais uma viagem a Londres que era sua terra natal, que não via desde os 15 devido a mudança para o Nashville.Ao contrário do esperado por qualquer pessoa da sua idade resolveu que queria a companhia de seus pais na viagem. Fez com que eles cancelassem todos os seus compromissos para leva-la onde ela desejava.
Isso era o que a deixava mais triste, se não fosse esse seu desejo bobo de voltar aquela cidade seus pais jamais teriam entrado naquele avião e morreriam naquele trágico acidente, do qual apenas se safara por ter chegado atrasada para o voo e ter sido obrigada a pegar outro.
Agora ela apenas possuía o irmão de seu pai, que parecia indiferente a sua presença e sua esposa, que pensava que ela era uma boneca que quebraria ao menor sinal de lágrimas. Os seus antigos amigos ela nunca mais teve contato e também não achava adequado procura-los, seu ressentimento quanto ao abandono deles quando mais nova ainda não se dissipara. Ela começou a lembrar-se de todos os bons momentos que tivera naquelas ruas, rindo das piadas bobas de Rose e Ally, das brincadeiras maliciosas de John e dos sorrisos apaixonantes de Rob. Fora muito difícil quando eles pararam de ligar para ela.
Samantha sentou-se encostada a uma parede, colocou a cabeça entre os joelhos e finalmente se permitiu chorar. E chorou, chorou. Escutou passos se aproximando mas manteve-se onde estava, até sentir o toque suave de uma mão. Ela levantou os olhos e se deparou com orbes verdes extremamente familiares. Rob? Será mesmo? Não era uma Alucinação? pensamentos confusos cruzavam sua mente, porém quando o rapaz emitiu um sorriso fraco ela teve certeza, aquele era Rob. Ela subitamente se levantou e o abraçou com força, afundado o rosto em sua camisa. Nunca pensara em quanta falta ele fazia até agora. Quando seus soluços cessaram, reparou nas pessoas que se encontravam ali. Eram eles, Rose, Ally e John em versões mais velhas, mas com certeza eram eles, e então ela sorriu porque sabia que de agora em diante, estava segura, com os outros amores de sua vida, seus amigos.


